Santiago Peña anunciou saída da chefia do Executivo após colapso do Banco Ueno e avanço de processo de destituição no Legislativo paraguaio.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, comunicou formalmente sua renúncia à Presidência da República nesta quinta-feira (05/11). O anúncio ocorre em meio a uma turbulência política e financeira deflagrada pela liquidação do Banco Ueno, a principal instituição bancária digital do país vizinho, e visa antecipar a votação de um pedido de impeachment que tramita com celeridade no Congresso paraguaio.
Em pronunciamento veiculado em suas redes oficiais, Peña afirmou que a decisão foi tomada visando salvaguardar a ordem democrática. “Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República. O que faço é pensar na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, declarou o mandatário, enfatizando o respeito à Constituição paraguaia.
Próximos passos no Congresso Nacional
A renúncia agora precisa passar pelo crivo dos parlamentares, a quem caberá aprovar ou rejeitar o pedido formal entregue pelo líder do Executivo. Na hipótese de a renúncia não ser aceita pelos congressistas, o rito de impeachment seguirá seu curso normal. Horas antes do anúncio de Peña, a Câmara dos Deputados do Paraguai havia dado aval para a instauração formal do processo de afastamento.
Com 47 anos, Peña assumiu o poder em 2023 sob a bandeira do tradicional Partido Colorado (conservador), sucedendo Mario Abdo Benítez, correligionário da mesma sigla.
Conexões com o colapso do Banco Ueno
A crise que culminou na queda de Peña ganhou força após a autoridade monetária declarar a insolvência do Banco Ueno em 3 de novembro, ordenando a paralisação imediata das operações e a abertura do plano de liquidação da empresa. O caso levou o Ministério Público paraguaio a instaurar investigação penal e pleitear a detenção de dois executivos da entidade, sob suspeita de concessão irregular de crédito a companhias ligadas aos controladores, manobra que esvaziou os ativos do banco.
O abalo no sistema financeiro atingiu diretamente o Palácio de López devido às ligações pregressas do presidente com a instituição: economista por formação, Peña manteve participação societária na Ueno Holding até março de 2025.
O escândalo também provocou baixas na cúpula financeira estatal. Carlos Carvallo, que presidia o Banco Central do Paraguai (BCP) desde 2023 e já havia comandado o próprio Banco Ueno no passado, entregou o cargo diante da repercussão do caso.
Inicialmente articulada por um grupo de 35 deputados de oposição, a denúncia por crime de responsabilidade contra Peña acabou recebendo o endosso de siglas da própria base de apoio do governo, inviabilizando a sustentação política do presidente.
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