Relatório da CLDF revela cenário caótico com buracos na manutenção, falta de servidores que causa prejuízo milionário e dias em que apenas 12 trens deram conta de toda a capital.
Se você usa o transporte público e já cansou de passar sufoco em vagões lotados ou esperando minutos que parecem horas na plataforma, saiba que a culpa não é da sua imaginação. Um relatório bombástico da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) da Câmara Legislativa revelou que o Metrô-DF opera hoje no limite do sufoco, com quase metade de seus trens fora de combate e quatro deles considerados “perda total” por inviabilidade econômica.
Durante uma inspeção técnica realizada no pátio de Águas Claras, os distritais constataram o tamanho do drama: das 32 composições que o DF possui, apenas 19 estavam nos trilhos trabalhando. Para piorar, embora o sistema precise de pelo menos 22 trens rodando juntos para dar um refresco nos horários de pico, a comissão recebeu denúncias graves de que a Candangada já teve que se virar em dias críticos com míseros 12 trens circulando por todas as linhas.
O resultado dessa conta que não fecha? Estações superlotadas, panes constantes e atrasos que tiram a paz do trabalhador.
Nos horários de pico a Candangada parece mais sardinha dentro da latinha do que seres humanos. Um verdadeiro descaso! É só mais um pedaço do transporte coletivo que não funciona com pagamento, imagine se fosse “de graça”. Populismo sempre aparece próximo de eleições. Não se consegue fazer o básico em 4 anos, quando chega perto da próxima eleição, ficam inventando. Quem não usa o transporte – a maioria da Candangada – tem que pagar por quem não tem outra opção (mas que não gostaria de usar, igualmente).
O preço do abandono e o “Trem 19”
Segundo os técnicos da comissão, o Metrô-DF vive um ciclo vicioso: como faltam veículos, a companhia evita tirar os trens ativos para fazer revisões mais profundas (aquelas que podem travar o veículo por até seis meses). O resultado é uma frota que roda no osso. Faltam peças básicas, principalmente para os trens da Série 1000 — os mais antigos do sistema —, comprados da fabricante francesa Alstom, com quem o governo patina para conseguir fechar acordos de reposição tecnológica.
O símbolo maior desse sucateamento é o trem número 19. Após descarrilar por conta de uma peça que se soltou, o veículo virou uma dor de cabeça de R$ 3,5 milhões para ser consertado, além de ter obrigado a troca de 300 componentes nos trilhos danificados. Especialistas apontam que, se houvesse verba carimbada para manutenção, o Metrô poderia ter 28 trens voando baixo, deixando de lado apenas os 4 que viraram sucata definitiva.
Estações sem funcionários e catracas liberadas
A crise não é só de ferro e aço, mas também de pessoal. O relatório expõe um enorme déficit de servidores no Metrô-DF. Um pedido de concurso público foi enviado à Secretaria de Economia em setembro de 2025, mas segue dormindo na gaveta.
Sem braço para trabalhar, o reflexo nas bilheterias é assustador: o documento aponta que algumas estações simplesmente precisam liberar as catracas manualmente para que os passageiros entrem de graça, já que não há funcionários para vender passagens ou controlar o acesso. Essa brincadeira forçada já gerou um rombo estimado em R$ 3 milhões aos cofres públicos devido à falta de arrecadação.
Qual a luz no fim do túnel?
Com tanta falta de estrutura, a qualidade despencou. O índice de regularidade operacional bateu 89%, bem abaixo da meta aceitável de 97%, e mais de 11% de todas as viagens programadas foram simplesmente canceladas por falta de veículo.
Como promessa de salvação, o Metrô-DF informou que prepara uma licitação para comprar 15 novos trens, com investimento pesado de R$ 48 milhões por composição. Mas a Candangada vai precisar de paciência: a expectativa é que, após a assinatura do contrato, os primeiros novos vagões demorem cerca de dois anos para desembarcar no quadradinho. Até lá, o brasiliense segue na torcida para que o transporte não pare de vez.